A Teoria das Catástrofes

A Teoria das Catástrofes [Introdução]
René Thom trouxe-nos um novo conceito, a Teoria das Catástrofes, que visa explicar o desaparecimento de um equilíbrio e estabelecimento de outro consecutivo na sequência duma modificação gerada por uma catástrofe. A metamorfose da lagarta ilustra o conceito, pois trata-se do mesmo ser, apesar da lagarta se ter transformado em borboleta¹.
A Teoria das Catástrofes


José Júlio Martins Tôrres [FONTE]
Mestre em Informática pela PUC/Rio
Especialista em Educação Biocêntrica


A Catástrofe é caracterizada pelo aparecimento súbito de uma solução qualitativamente diferente para um sistema quando um parâmetro é variado suavemente. O sistema consegue se manter graças a uma manobra de subsistência.

A Teoria das Catástrofes tem a ver com o seguinte: ... “e qualquer desatenção.../ Faça não!/ Pode ser a gota d’água...” (Chico Buarque). Teoria das Catástrofes é isso. É a gota d’água.

O interruptor de luz elétrica é um exemplo clássico de Catástrofe. Aceso, ou apagado. Você está no escuro total, acende a luz, é uma catástrofe. Você está no claro total, apaga a luz, é uma catástrofe. É uma mudança de estado que caracteriza a Catástrofe.

A chave da teoria está nos pontos de instabilidade interna ou estrutural (pontos de bifurcação). Na realidade é mais que bifurcação. Falar “BIfurcação” é uma miopia. Devemos falar em POLIfurcação.

Catástrofe é a idéia de que as oportunidades da vida se abrem em leque. Nós temos é que saber conviver com isto. Alguém diz: mas eu não tive oportunidade nenhuma na vida. Cada um tem o seu momento. Cada um tem o seu ponto de chegada, a sua hora. Os caroços de milho, numa panela quente, não explodem todos de uma vez para virar pipoca. Cada um tem a sua hora. Temos que ter paciência com as pessoas. Assim, nós vamos conviver melhor.

Vejamos a figura 01 – uma catástrofe psicológica: estamos vendo uma escada. Mas, estamos vendo esta escada de cima ou de baixo? O preto é a parte de cima de cada degrau, ou é a parte de baixo? Nós não conseguimos ver das duas maneiras ao mesmo tempo. Ou vemos como se estivéssemos por cima, ou depois vemos como se estivéssemos por baixo.



Não tem sentido alguém dizer: Eu já disse dez vezes essa coisa!... E esse cara não entende!... Esse cara é burro!... Não é burro não. É porque ele está vendo a coisa de cima e você está querendo dizer a ele que é de baixo e ele não consegue ver. Cada um tem o seu ponto de vista. Tem que dar um tempo, até a ficha cair. Aí, o cara: ... Ah... Tem! É! Entendi! Agora estou vendo!... Não recebemos a existência pronta. Devemos construí-la progressivamente. Nós não somos um produto. Somos um processo.

É isso a catástrofe. Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece! Podem ter aparecido já até muitos mestres, mas ele não estava pronto. Não havia mestres para ele.

Vamos olhar um a um os desenhos da figura 02. O que é que nós vemos nesta figura? Com certeza tem gente que levará um bom tempo para ver...



Cada um tem o seu tempo. Os caroços de milho, numa panela quente, não explodem todos de uma vez para virar pipoca. Tem caroço de milho que é teimoso e não vira pipoca de jeito nenhum. Então, nós também não pipocamos na mesma hora. Cada um tem a sua hora. Temos que ter paciência com as pessoas. Assim, nós vamos conviver melhor. “A falta de respeito ao tempo de espera dos sistemas dificulta a autoprodução, impede que aprendamos algo de novo” (MARIOTTI, 2000, p. 240).

A zona de desenvolvimento proximal de Vygotski (VYGOTSKI, 1991) e a idéia da problematização de Paulo Freire (FREIRE, 1999) estão perfeitamente em sintonia com as idéias da Teoria das Catástrofes.

A Teoria das Catástrofes contribui para o esclarecimento de processos como as alterações bruscas de opinião e a tomada de decisões que acontecem nas escolas, nas organizações e no dia-a-dia das pessoas.

Segundo Antoni Colom (COLOM, 2004, p. 161), “... a dinâmica da sala de aula é um sucessivo aparecimento de ordens e desordens que vão determinando, além disso, os desejos dos alunos, assim como toda sua atividade curricular”.

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[1] O parágrafo de introdução presente no post não foi escrito pelo autor do artigo. O trecho em questão foi extraído do texto intitulado "Evocação de René Thom e a teoria das catástrofes".